Robert Schumann (1810-1856)

Robert Schumann (1810-1856)

Para a sua 10ª Digressão, a Orquestra XXI convida o Coro Gulbenkian e um conjunto internacional de solistas para apresentarem uma obra-prima do romantismo raramente ouvida em Portugal. A oratória “Das Paradies und die Peri” de Robert Schumann, para orquestra, coro e vários solistas, conta a história de uma criatura, Peri, que depois de expulsa do Paraíso, tenta reconquistar o seu lugar, procurando na Terra o presente mais querido dos deuses.

A digressão começa no dia 27 de Abril em Viseu, num concerto integrado no Festival Internacional de Música da Primavera, seguindo depois para Coimbra, no dia 28, com o regresso da Orquestra XXI ao Convento São Francisco. O último concerto será em Lisboa, no dia 29 no Centro Cultural de Belém, marcando o encerramento dos Dias da Música em Belém. A soprano Sónia Grané canta o papel de Peri, a quem se junta um quarteto de solistas constituído pela soprano Leonor Amaral, a mezzo-soprano Anna Harvey, o tenor James Gilchrist e o barítono Diogo Mendes, que se apresentam em vários papéis ao longo da obra. Os concertos serão dirigidos pelo maestro Dinis Sousa.

Sobre a obra
«A minha maior obra e, espero, a minha melhor», foi como Schumann se referiu a Das Paradies und die Peri após a sua estreia. Tratando-se da sua primeira obra para um grande efetivo, com coro, orquestra e solistas, foi provavelmente também aquela que obteve maior sucesso durante a vida do compositor. Após a calorosa receção na estreia, várias apresentações foram imediatamente agendadas e a obra rapidamente se afirmou como uma referência. O libreto, baseado no poema Lalla-Rookh, de Thomas Moore, conta a história de uma criatura bela, Peri, que é expulsa do paraíso e que, para lá poder voltar, tem de encontrar na Terra aquilo que é mais querido dos deuses. As três partes desta Oratória narram as três tentativas de Peri de encontrar o presente que os deuses exigem, entre campos de batalha e pragas mortais, até finalmente conseguir que as portas do paraíso se abram para a receber. O texto, uma extensa fantasia orientalista que captou o interesse de Schumann (e de Wagner, que confessou ter querido escrever uma ópera com o mesmo texto) acabou por cair em desuso, mas o estilo extremamente descritivo deste mundo exótico e longínquo foi precisamente o que estimulou a imaginação de Schumann que, nunca cedendo a exageros, criou uma partitura extremamente variada e profundamente expressiva. Quase dois séculos depois, esta obra-prima permanece uma das pérolas do romantismo, absolutamente surpreendente na beleza das melodias e texturas, entre ópera e ciclo de canções, certamente a mais rica partitura para orquestra que Schumann nos deixou.
Dinis Sousa

 Coro Gulbenkian

Coro Gulbenkian

Elenco
Sónia Grané soprano
Leonor Amaral soprano
Anna Harvey meio-soprano
James Gilchrist tenor
Diogo Mendes barítono

Coro Gulbenkian
Orquestra XXI
Dinis Sousa direção musical